Parece que foi ontem que eu liguei a televisão da minha casa e pude acompanhar esse acontecimento. Ao que tudo indicava o Gigante 'havia acordado'.
Começou com um grupo de jovens que lutavam pelos seus diretos e não concordavam com o aumento de R$0,20 na passagem. Parecia pouco, mas a cada R$0,20 centavos em passagem (usando transporte duas vezes ao dia) a despesa aumentaria significativamente no bolso do cidadão.
Foi o empurrãozinho necessário para despertar um tipo bonito de nacionalismo nos jovens de outras partes do Brasil. 
Lembro-me que as críticas sobre o movimento eram as melhores e piores.
De tudo o que se disse, o que mais afirmávamos com fé era que o Brasil 'jamais seria o mesmo'.
O que começou com R$0,20, expandiu-se para outras reivindicações. Melhorias no transporte do todo o Brasil, combate a corrupção e ao PEC 37, dentre outras lutas.
Em cada cidade via-se jovens pintados, determinados e dispostos a mudar o país.
Não se sabe se foi algum tipo de droga ou um vírus do momento, o que se sabe é que nos 4 cantos do Brasil vestiu-se a bandeira do país e foi-se as ruas reivindicar. 

Foi bonito, e é com emoção que eu digo que fiz parte desse movimento.
Pela primeira vez em anos eu comecei a acreditar que o nosso país poderia ser diferente, que a luta seria válida.
Na minha cidade os jovens começavam a se mobilizar pelas redes sociais, em prol de uma passeata pelos nossos direitos, por um Brasil diferente.E assim o fizemos!
O nosso lema era "Sem violência! #VemPraRuaFSA", e de fato não houve violência de nossa parte.
Segundo a imprensa, o movimento reuniu cerca de 12 mil pessoas e eu pude presenciar essa mesma quantidade de gente sentar em meio a avenida enquanto cantava o hino nacional e demonstrava que aquele era um movimento pacifico.
Admito que lembro disso e fico emocionada, acho que talvez tenha sido a cena mais linda que já pude presenciar até hoje na minha vida.
Infelizmente a noite, no dia do movimento, um pequeno grupo de baderneiros cometeu atos de vandalismo, o que não representou de modo algum a maioria dos jovens que saíram de suas casas para lutar pelo país. Quando eu falo 'pequeno grupo' é, de fato, um pequeno grupo mesmo. 99% das pessoas que tinham ido á passeata já estavam em casa na hora do ocorrido.




Dias depois houve a segunda passeata, que teve o seu número reduzido, bem como as outras que seguiram posteriormente. 

E então o que eu pude perceber é que o movimento estava perdido. Perdido em seus objetivos (já reivindicavam-se tantas coisas, que já não se sabia mais a prioridade daquilo ali), perdido entre aproveitadores políticos que gozavam do momento para se auto-promover politicamente, perdido entre jovens que iam ás passeatas somente para se sentirem inclusos naquilo (modismo), mas sem nenhum tipo de consciência sobre o que, de fato, representava aquilo ali.


As movimentações começaram a ser invadidas por pessoas que estavam ali apenas para vandalizar e sujar o nome do movimento (e até cogitou-se uma teoria de que isso tinha sido ordem de terceiros, para que o toda aquela 'revolução' fosse impedida).
Com cada vez menos pessoas, perdeu-se a força e o foco.

Reclamamos tanto da manipulação do governo, mas o movimento acabava recebendo ordens dos Anonymous e enquanto o movimento era numeroso nunca parou-se para questionar isso.


O governo começou a se preocupar com a onda de violência que tomava conta do país e a presidente Dilma falou em rede nacional sobre as diversas mudanças que o país passaria em prol de melhoras.

Lembra dos R$0,20? Pois bem! Ele não foi adicionado as passagens daqueles jovens lá do começo do post. E depois dessa conquista o movimento morreu de vez.

É como se o gigante tivesse acordado enraivecido, saído pra rua, esbravejado com todo mundo que encontrou pelo caminho e depois de uns mimos medíocres ele resolveu tirar férias, sem previsão de término.

Sim, fizemos parte de algo histórico, mas que resultou em pouco. Se não era só pelos R$0,20, então onde o gigante escondeu todo aquele nacionalismo? O que aconteceu com as outras causas de luta? Onde estão os jovens que saíram as ruas dando suas caras a tapa?

O Brasil voltou a ser o mesmo sim. E, como sempre, se contentou com pouco, baixou a cabeça e voltou a seguir uma vida  onde se tem mais contas no final do mês do que dinheiro pra paga-las. 




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